Espaço Música e Educação
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
A MUSICALIZAÇÃO COMO FACILITADORA DA APRENDIZAGEM DA LEITURA E DA ESCRITA
Universidade Federal da Bahia
Resumo
O objetivo principal dessa pesquisa foi o de verificar a diferença em termos aquisicionais entre crianças musicalizadas e não musicalizadas em relação às habilidades de consciência fonológica e seu desempenho em tarefas subjacentes à aprendizagem da leitura e da escrita. Foram aplicados testes em 4 grupos de crianças musicalizadas e não musicalizadas de escolas públicas e de escolas particulares, em várias escolas de Salvador. Os resultados mostram que as crianças musicalizadas têm desempenho superior em todas as tarefas.
Palavras Chave: Musicalização, Consciência Fonológica, Aprendizagem.
Como educadora musical na educação infantil desde a década de setenta em Salvador, tive a oportunidade de musicalizar centenas de crianças das escolas tanto da rede privada quanto da rede pública.
Mulsicalizar, consiste em proporcionar ao indivíduo, seja qual for a sua idade cronológica: - Apreciação, harmonia e equilíbrio para a sincronia entre tempo e espaço, forma e conteúdo.
- Criatividade, respeitando a espontaneidade e individualidade de cada um.
- Execução, fazer música, vivenciando cada um dos elementos de forma consciente.
Nessa caminhada fui acompanhando as crianças e conseqüentemente o seu desenvolvimento, já no ensino fundamental, em várias áreas do conhecimento, quando observei que as crianças que tiveram essa experiência, ou seja, foram musicalizadas na primeira infância, demonstravam habilidades de consciência fonológica e melhor desempenho em tarefas subjacentes à aprendizagem da leitura e da escrita.
Entende-se consciência fonológica com sendo a compreensão de como as palavras são compostas de diversos sons, ou seja: “A consciência com que as crianças refletem sobre as unidades fonológicas-rimas, sílabas e fonemas” (Carvalho, 2002 p.41).
Pesquisas já apontam a importância da consciência fonológica. Como diz Adams, (2006 p.20) “As avaliações do nível de consciência fonológica de crianças em idade pré-escolar predizem em muito seu futuro sucesso na aprendizagem da leitura”.
Esta habilidade, aparentemente básica e transparente para os que já sabem ler e escrever, não surge facilmente, muito menos naturalmente no ser humano, mas considera-se um processo contínuo de conscientização.
Refletindo sobre o conceito de consciência fonológica, levando em consideração que as palavras são compostas de diversos sons, comecei a observar com mais cuidado o desempenho das crianças que tinham sido musicalizadas e percebi que a música tem um papel facilitador nesse processo. E, para comprovar a hipótese era necessário elaborar uma pesquisa de campo, e assim o fiz.
Foi elaborado um Teste de Sondagem de Consciência Fonológica TSCF para verificar a diferença em termos aquisicionais entre crianças musicalizadas e não musicalizadas na primeira infância.
O TSCF constou de quatro questões sobre segmentação silábica e acentuação tônica, cujo padrão prosódico das palavras variava entre: monossílabo, dissílabo, trissílabo e polissílabo proparoxítono, paroxítono e oxítono, e foi aplicado em 40 (quarenta) crianças de várias Escolas em Salvador que cursavam entre 2ª e 3ª séries, em 1990.
As crianças foram selecionadas em quatro grupos aos quais denominei:
Grupo 1 - 10 (dez) crianças de Escola Publica não musicalizadas
Grupo 2 - 10 (dez) crianças de Escola Pública musicalizadas
Grupo 3 - 10 (dez) crianças de Escola Particular não musicalizadas
Grupo 4 - 10 (dez) crianças de Escola Particular musicalizadas
A primeira questão constava de dez palavras as quais as crianças deveriam separar as sílabas.
1- Siga o exemplo:
Marcelo Marina bola boneca café
mesa ela elefante televisão pé
A segunda questão tratava da acentuação tônica, ou seja: as crianças deveriam reconhecer a sílaba forte das palavras.
>
Mar ga ri da vo vó ca dei ra ca mi nhão ma la
A terceira questão consistia em encontrar palavras que combinassem com um padrão rítmico escrito.
A quarta questão: foram escritas 25 palavras para que as crianças organizassem em grupos considerando o rítmo (padrão prosódico) que, no caso, combina características da extensão lexical e do padrão silábico.
Rosa - Antonio – mão - elefante – papel – maçã – costureira - Marcelo – dá – bola – cadeira – sei – vovô – mala – casamento – Maria – Márcia – bicicleta – pé – tinteiro -
Marli – Beto – sapateiro – botar – pai - Marina - casa - Margarida - cajá - sol
O resultado pode ser visto através dos gráficos a seguir:
Os grupos 1 e 3, formados por crianças não musicalizadas tanto da rede pública quanto privada, demonstraram desempenhos bem próximos:
- na 1ª questão (segmentação silábica) ambos conseguiram 90%
- na 2ª questão (acentuação tônica), ou seja, ritmo das palavras ambos conseguiram 45%
- na 3ª questão (ainda acentuação tônica), as crianças da rede pública demonstraram mais dificuldade que as da rede privada, obtendo 0% rede pública enquanto a privada conseguiu 40%.
Nesse caso, observa-se que as crianças ainda têm um vocabulário relativamente pequeno para o nível de escolaridade, que em sua maioria era de 3ª série.
- Na 4ª questão ( selecionar e agrupar as palavras de acordo com o ritmo, ou seja, acentuação tônica) observa-se que as crianças da escola pública ainda estão 0% em relação a esta tarefa de consciência fonológica e as da rede privada estão começando a construção dessa consciência apesar de nem alcançarem 50%
Quanto aos grupos 2 e 4, os das crianças musicalizadas, os resultados foram:
- 1ª questão – (grupo 2 rede pública) 9 crianças conseguiram 100% e uma criança 90%
(grupo 4 rede privada) as 10 crianças alcançaram 100%
- 2ª questão – Grupo 2 - 7 crianças alcançaram 100% e 3 crianças 90%
Grupo 4 – 9 crianças 100% e 1 (uma) criança 90%
- 3ª questão - Grupo 2 - 9 crianças 100% e 8 crianças 90% e 1 (uma)
criança 50%.
Grupo 4 – as 10 crianças 100%
- 4ª questão - Grupo 2 – 1 (uma) criança 100% , 8 crianças 90% e
1 (uma) criança 50%
Grupo 4 - 10 crianças 100%
Nota-se claramente a diferença entre os grupos de crianças musicalizadas e não musicalizadas como resultado dessa investigação, comprovando a hipótese levantada de que a musicalização facilita o processo de aquisição da consciência fonológica
Considerações finais
Durante a análise da pesquisa realizada, pode-se observar a diferença entre as crianças de escolas públicas e da rede privada, que, mesmo as que foram musicalizadas obtiveram menor resultado que as da rede privada e este resultado leva a outras questões concernentes ao processo de aprendizagem da leitura e da escrita dessas crianças.
Quando se diz que uma criança tem consciência fonológica, qual a realidade? Ela tem conhecimento de que as palavras são formadas de diferentes sons, ou ela simplesmente percebe através da percepção auditiva esta diferença?
Os professores do ensino fundamental têm conhecimento das competências e habilidades necessárias para que uma criança tenha sucesso na aprendizagem da leitura e da escrita? Têm consciência fonológica?
A percepção auditiva, uma das percepções desenvolvidas no processo de musicalização, não vem a ser pré-requisito para consciência fonológica, assim como a consciência fonológica não é o único pré-requisito para a aprendizagem da leitura e muito menos consequência da habilidade da leitura, mas sim facilitadores um do outro, ou seja, a musicalização facilita a consciência fonológica e a consciência fonológica facilita a aprendizagem da leitura e da escrita.
Considerando que a língua portuguesa falada no Brasil é uma língua de ritmo acentual e por isso rica em ritmo, som, entonação, elementos também encontrados na música, pode-se afirmar, face ao que foi visto, que na primeira infância, ou seja, de 0 (zero) a 6 (seis) anos a criança deve começar a participar de atividades musicais tanto nas classes de educação infantil, creches, quanto nas escolas de Música.
É preciso, no entanto, que os professores estejam bem informados das necessidades das crianças nessa faixa etária, tenham consciência fonológica e sejam bem preparados musicalmente.
Referências Bibliográficas
Adams, Marilyn Jager ET. Al. (2006) Consciência Fonológica em crianças
Pequenas. Artmed, São Paulo.
Bryant, Peter & Bradley, Lynette. (1987) Problemas de leitura na criança. Artes Médicas
Cagliari, Luis Carlos. (1990) Elementos para um estudo do ritmo da fala. Livre docência.
________________________ Alfabetização e Lingüística. Editora Scipione
Carvalho, Wilson Júnior de Araújo. O desenvolvimento da Consciência Fonológica: da sensibilidade à consciência plena das unidades fonológicas.
Costa,Marineide.(maio 1991). Traços Suprasegmentais, Consciência Fonológica e a Música. Monografia.Trabalho apresentado no final do curso Alfabetização e Aquisição da Língua Materna.Universidade Federal da Bahia, Salvador Brasil.
_______________ (1983) A importância de Uma Experiência em Música e Movimento na Aquisição da Linguagem. Monografia. Trabalho apresentado no final do curso em Psicolingüística. Universidade Federal da Bahia, Salvador, Brasil.
Deese, James. (1976). Psicolingüística. Petrópolis: Vozes
Greene, Judith (1980) Psicolingüística: Chomsky e a Psicologia. Rio de Janeiro: Zahar Editores.
Lamprech, Regina Ritter (org).(2004). Aquisição fonológica do Português. Porto Alegre: Artmed
Swanwick, Keith (2003) Ensinando Música Musicalmente; Tradução de Alda Oliveira e Cristina Tourinho S. Paulo Moderna
segunda-feira, 4 de junho de 2007
Psicolingüística e Musicalização
Marineide Marinho Maciel Costa
Resumo – A Psicolingüística como uma disciplina autônoma, procura estudar os fatores que afetam as estruturas psicológicas que nos capacitam a entender as expressões, palavra orações e textos da comunicação humana, considerada uma contínua Percepção – Compreensão - Produção. Dependendo dos estímulos externos relativos à audição e à visão, as etapas sensoriais são diferentes e a Música, considerada uma das mais importantes expressões humanas, presente em todos os momentos da vida do ser humano, exerce um papel preponderante no processo de aquisição da língua materna.
O texto discorre as diferentes etapas do processo de aquisição da língua materna e a sua relação com o processo de musicalização das crianças de 0 a 6 anos.
PALAVRAS- CHAVE: Psicolingüística, Musicalização, Aquisição da língua materna.
O conhecimento de como se processa a aquisição da língua materna sempre foi uma curiosidade pessoal, por conta do meu trabalho como educadora musical nas classes de educação infantil desde a década de setenta em Salvador. Era curioso observar como as crianças pequenas acompanhavam as músicas que escutavam muitas vezes somente com movimentos corporais e outras vezes tentando balbuciar as palavras contidas nas poesias das canções. Até que em 1982, a direção do então Jardim de Infância 1,2,3, proporcionou aos seus professores, um curso, denominado Aquisição da Língua Materna, com a Professora Elisabeth Reis Teixeira que acabara de fazer o seu doutourado na Inglaterra.
Para mim foi fascinante, pois até então trabalhava com as crianças de forma empírica, sempre observando, refletindo as dificuldades encontradas, muitas vezes lidando com patologias da fala, sem nenhum respaldo científico sobre o assunto.
Conhecendo a história do surgimento da Psicolingüística no Brasil na década de 80, descobri então, que a Bahia como sempre privilegiada foi um dos primeiros Estados a receber a nova área de estudos da psicologia e lingüística, visto que a Psicolingüística é considerada uma disciplina autônoma que se destaca no mundo nos anos 50, promovida pela insistência do lingüísta Noam Chomsky que defendia a necessidade da Lingüística ser encarada como parte da Psicologia Cognitiva, chegando ao Brasil e na Bahia na década de 80.
A musicalização das crianças, nessa época, era feita através de métodos ativos emergentes, como Dalcroze, Willems, Orff, que valorizavam o movimento do corpo, o ritmo das palavras e o movimento sonoro contido nas canções, o que me fez refletir e experimentar o valor da música no processo da aquisição da linguagem.
Que relação podemos estabelecer entre linguagem verbal e a música? Observei que haviam semelhanças tão naturais como articulação sonora, ou seja o movimento do som quer ascendente ou descendente, o ritmo predominante nas palavras, frases e períodos, termos também usados na música.
Conhecendo através de pesquisa bibliográfica as fases do processo de aquisição da língua materna, procurei experimenta-las com crianças da faixa etária condizente com cada etapa, fazendo com que a música estivesse presente no dia a dia dessas crianças.
A criança nasce imersa num mundo de sons, com 100% de audição, segundo estudos realizados e com capacidade de emitir sons diferenciados através do aparelho fonador que aos poucos vai amadurecendo, adquirindo o essencial do que ouve ao seu redor, começando a criar uma gramática simplificada, formulando suas próprias orações, pondo em jogo um complicado mecanismo de coordenação neuromuscular dos órgãos oro-faringeo-laringeos, unidos a uma integração e maturação do sistema nervoso central.
A primeira fase desse processo é o chamado período da Pré-fala, que consiste no choro, repetições silábicas ou jogo vocálico. O choro, o primeiro som emitido pelo bebê, pode ter vários significados, sendo entendido apenas pela mãe ou pessoas que vivem no contexto do bebê, podendo caracterizar uma situação de fome, de dor, de solidão, com entonações diferentes. O jogo vocálico,vem em seguida, com pequenas variações na intensidade da voz, também chamado gorgeio, após o que vêem as repetições silábicas, fase em que a criança emite vogais e consoantes pouco definidas quando comparadas com o sistema fonológico do adulto. Nesta fase há um circuito auditivo de “retroalimentação” em que a criança se distrai com as suas próprias emissões, como por ex: “goi,goi,goi”, “pa,pa,pa”, “mã,mã,mã. Vale salientar que estas repetições são feitas em diversas alturas de som, variando também o ritmo, quando destacamos a presença do elemento melódico, pois a criança se interessa pelo aspecto melódico das palavras, captando seu conteúdo expressivo, apesar de ainda não compreender o seu significado. É a também chamada fase do jargão. Esta é fase em que os pais ou responsáveis pela criança podem interagir, repetindo e criando novos sons que chamam a sua atenção, estimulando as repetições. É o “mamanhês” tão falado. Os pais também podem observar se o aparelho auditivo está em perfeito funcionamento, pois caso contrário não haverá a “retroalimentação” e consequentemente as brincadeiras vocálicas e repetições silábicas não prosseguirão, caracterizando uma DA - Deficiência Auditiva.
A segunda fase é a chamada HOLOFRÀSICA: é a fase das primeiras palavras, ou seja: a criança usa apenas uma palavra em lugar de uma frase e para entende-la é preciso que o acompanhante esteja no contexto, como por ex: [‘TUKU] = Suco, que pode ser: você quer suco? Ou, Quero suco, ou ainda, Olhe o suco! Onde está o suco? Nestes exemplos o diferencial é o traço melódico ou seja: a entonação da voz da criança.
A terceira fase é a TELEGRÀFICA – A criança usa duas palavras juxtapostas que já expressam mais abertamente a organização frasal emergente. Ex: [‘ka’ pa//iu] = (carro painho) que pode significar: - o carro é de painho, carro igual ao de painho, quero ver o carro de painho, quero passear no carro de painho e, mais uma vez, para entender o enunciado o que difere é ainda a entonação melódica e o contexto. Aos poucos a criança vai elaborando a sua gramática , quando se observa que nas primeiras emissões da frase telegráfica, há combinação da estrutura substantivo-substantivo, sendo que o alcance semântico destas frases vai muito além do que objetivamente lhe daria o adulto.
A quarta fase é das Orações complexas – Nesta fase, a criança começa a usar complementos para o verbo, alguma orações relativas e palavras mais longas, como por ex: [kelu’ maji ga’gau] = quero mais mingau. A partir daí as orações tornan-se mais complexas, a criança começa a adquirir as regras que fazem com que uma oração se desmembre em outras, como: “Fui no parque com painho! Andei na roda gigante, fui no trem fantasma! Andei de helicóptero! De minhocão!Tonton também foi. (Marione 3 anos e 6 meses)
Há ainda uma quinta fase a da Intuição Lingüística – quando a criança já consegue refletir sobre a gramaticalidade da sua fala e chega a intuições lingüísticas como: “eu queria que você isse comigo” (Tonton 4 anos e 6 meses). A intuição leva essa criança a usar o verbo irregular como regular. É uma tentativa de compreensão da regra gramatical.
“A criança vive imersa num banho de linguagem”, diz Lapierre, 1977; mais aos poucos vai descobrindo o significado e o seu uso, pois a linguagem surge como um processo de tentativa de imitação da língua materna através de modelos verbais que pouco a pouco vão se interiorizando. Segundo Noam Chomsky, maior expoente da escola inatista, os humanos tem inata uma Gramática Universal abrangendo todas as línguas humanas. No entanto, os funcionalistas, se opondo a esta tese, afirmam que a linguagem somente é aprendida através do contato social, embora tenha a capacidade inata, já provado cientificamente, de aprender línguas desde que esteja exposto a elas durante um período de tempo necessário. Afirma também que uma criança aprende com mais facilidade qualquer língua enquanto que um adulto levará muito, mais tempo para aprender uma segunda língua.
As atividades musicais nesse período parecem ser de grande importância, se observarmos que há um ponto em comum entre música e o processo de aquisição da linguagem; o SOM. e suas qualidades altura, intensidade timbre e duração. Nas atividades musicais com crianças de 0 a 6 anos, são usadas: brincadeiras rítmicas, sons de instrumentos musicais variados, voz falada e cantada, movimentos corporais, todos elementos que contribuem para um bom desenvolvimento da aquisição da língua materna.
Partindo dessa constatação, após quase dez anos vivenciando a música na educação infantil, período em que centenas de crianças de várias escolas das redes pública e privada da cidade de Salvador tiveram a oportunidades de ouvir criar e executar, ou melhor fazer música em grupo, quer cantando ou tocando, resolvi em 1989, fazer uma pesquisa que poderia servir de base para a confirmação do papel da música na aquisição da linguagem quer falada ou escrita. O objetivo principal da pesquisa seria comprovar a diferença entre crianças musicalizadas e não musicalizadas em realação às habilidades e competências necessárias para uma boa consciência fonológica e aprendizagem da leitura e da escrita.
Para isso foi elaborado um teste de sondagem com apenas quatro questões sobre segmentação silábica e acentuação tônica que foi aplicado em 40 (quarenta) crianças de várias Escolas em Salvador.
s crianças foram selecionadas em quatro grupos aos quais denominei:
- Grupo 1 - 10 (dez) crianças de Escola Publica não musicalizadas
- Grupo 2 - 10 (dez) crianças de Escola Pública musicalizadas
- Grupo 3 - 10 (dez) crianças de Escola Particular não musicalizadas
- Grupo 4 - 10 (dez) crianças de Escola Particular musicalizadas
A primeira questão constava de dez palavras as quais as crianças deveriam separar as sílabas.
A segunda questão tratava da acentuação tônica, ou seja: as crianças deveriam reconhecer a sílaba forte das palavras.
A terceira questão consistia em encontrar palavras que combinassem com uma célula rítmica escrita, o que exigia um pouco mais de conhecimento musical.
A quarta questão foi mais polêmica. Foram escritas 25 palavras para que as crianças organizassem em grupos considerando o rítmo (acentuação tônica)
O resultado pode ser visto através dos gráficos a seguir:

Considerações finais
Considerando que a língua portuguesa falada no Brasil é uma língua de ritmo acentual e por isso rica em ritmo, som, entonação, elementos também encontrados na música, pode-se afirmar, face ao que foi visto, que é na primeira infância, ou seja de 0 (zero) a 6 (seis) anos o período em que a criança deve começar a participar de atividades musicais tanto nas classes de educação infantil, creches, quanto nas escolas de Música..É preciso, no entanto, que os professores estejam bem informados das necessidades das crianças nessa faixa etária e bem preparados musicalmente.
Referências Bibliográficas
Bryant, Peter & Bradley, Lynette. (1987) Problemas de leitura na criança. Artes Médicas
Cagliari, Luis Carlos. (1990) Elementos para um estudo do ritmo da fala. Livre docência.
________________________ Alfabetização e Lingüística. Editora Scipione
Costa,Marineide.(1991, maio). Traços Suprasegmentais, ConsciênciaFonológica e a Música. Monografia.Trabalho apresentado no final do curso Alfabetização e Aquisição da Língua Materna.Universidade Federal da Bahia,Salvador Brasil
_______________ (1983) A importância de Uma Experiência em Música e Movimento na Aquisição da Linguagem. Monografia. Trabalho apresentado no final do curso em Psicolingüística. Universidade Federal da Bahia, Salvador, Brasil
Deese, James. (1976). Psicolingüística. Petrópolis: Vozes
Greene, Judith(1980) Psicolingüística: Chomsky e a Psicologia. Rio de Janeiro: Zahar Editores.
Lapierre, André. (1977) Simbologia Del Movimiento. Barcelona: Editorial Científico Médica
Lamprech, Regina Ritter (org).(2004). Aquisição fonológica do Português. Porto Alegre: Artmed